No meu tempo ...

16:11

Tenho uma irmã mais velha, nossa diferença de idade é de cinco anos. Lembro muitíssimo bem que quando eu era criança pedia demais para ela brincar comigo e ela nunca brincava ... na verdade ela só me procurava quando não tinha muita coisa para fazer. Até hoje escuto que a única vez que ela me deixou brincar eu sentei em cima da cama da Barbie – que por sinal era nova – e quebrei seu brinquedo favorito do momento, depois daquilo ela não me deixou chegar perto dos seus brinquedos.

Minha infância foi muito feliz, satisfazia minha vontade de brincar sozinha, não precisava de amigos, primos, vizinhos, pais ou mesmo minha irmã. Não me lembro de meus pais lerem histórias para eu dormir, lembro sim de ganhar uma coleção de contos de fadas com fitas K7 narradas pela Xuxa e um Meu Primeiro Gradiente, assim meus pais poupavam o tempo de ler a história e eu adquiria independência: colocava a fita no aparelho e enquanto ouvia folheava as páginas dos livros e aprendia a história. Não tenho certeza mas até poucos anos eu tinha um desses livros e guardo com muito amor o aparelho musical.

Quando eu tinha sete anos nos mudamos para uma casa, enfim saímos do apartamento, tive a oportunidade de ter espaço para brincar, correr, criar. Nesse período meus pais viajavam muito e eu ficava muito tempo em casa “sozinha”, na verdade com a empregada pois minha irmã passava o dia na escola ou na casa das amigas ... nesse período desenvolvi um mundo completamente meu. 

Eu nunca fui uma aluna muito estudiosa, sempre deixei para estudar na véspera da prova e preferia brincar à fazer lição.

Aos treze anos precisei começar a trabalhar com a minha mãe em seu consultório odontológico, um misto de economia e tentar me afastar das “más influencias” dos vizinhos do edifício. No inicio parecia muito legal, afinal eu estava trabalhando e nenhum dos meus amigos fazia isso ... e por isso logo logo trabalhar se tornou tão chato, pois eu precisava trabalhar enquanto nenhum dos meus amigos fazia isso.

Consegui deixar o trabalho no ano que fiz terceiro ano do ensino médio, pois precisava estudar para passar no vestibular. Minha mãe me obrigou a prestar vestibular para odonto e é claro que eu não quis passar, uma coisa é trabalhar com a minha mãe, confesso que trabalho no consultório por ela.

Depois de uns cinco anos trabalhando é que comecei a receber um “salário”, na verdade era uma ajuda de custos, afinal eu tinha que sustentar um guarda-roupa, nécessaire e vícios eletroeletrônicos. Foi nesse período que comecei a namorar o papis e gostava de poder ir no shopping e comprar um presente para ele, umas futilidades para mim.

Trabalhar criança me obrigou a ser responsável e madura antes do tempo ... eu tinha que cumprir horários, ter responsabilidade com agendar consultas e atender bem as pessoas e ainda cuidar de detalhes como compra de matérias e negociar com parceiros. Não foi fácil, na verdade foi muito difícil assumir uma vida de “gente grande” sendo tão pequena! Eu só pensava em chegar em casa, poder assistir um pouco de disk mtv e Sabrina aprendiz de feiticeira, isso se meus pais deixassem pois a única televisão que tínhamos em casa era no quarto deles.

Já contei aqui no blog alguma vez que quando comecei a namorar o papis era escondido dos meus pais?! Pois é, eles só descobriram porque uma vez a gente brigou, chegamos a terminar e eu fiquei muito triste e como estavam havendo problemas na minha casa também eu comentei com uma amiga que tava pensando em fugir de casa, daí ela ficou com medo de eu realmente fazer isso e conversou com a coordenadora da escola que chamou a minha mãe para um reunião e contou que eu estava namorando um colega da sala ... pois é, tive que voltar o namoro afinal minha mãe soube e “deixou” quando a gente estava terminado, óh vida cruel!

Quando paro para olhar minha vida antes da Sophia vejo que eu não tinha muito rumo sabe!? Eu pensava apenas que queria fazer jornalismo para poder viajar mundo a fora conhecendo novas culturas e vivendo novas experiências ... eu, justo eu que vivi uma infância sozinha, sem explorar a casa dos amigos e vizinhos. No consultório convivi com gente de diversas culturas e mundos, escutei muitas histórias cabeludas que me fizeram crescer e descobrir que nem sempre minha família estava – ou era – tão errada quanto eu pensava.

Hoje quando vejo que estou do outro lado, o lado das pessoas grandes que precisam criar e educar uma criança, muitas são as vezes que bate um desespero, um medo de errar. Não sei se você pensa como eu mas, muitas foram as coisas que ouvi/vi meus pais fazendo e pensava “nossa, quando eu tiver meu filho JAMAIS irei fazer isso com ele” pois eu sofri horrores e hoje eu penso “será que eles estavam certos ou faço como eu gostaria que eles tivessem feito” ... OMG, como faz?!

Minha pequena está crescendo, não é mais um bebê e já começou a perceber que tem voz, tem vez e isso me assusta ... será que estou preparada para educar uma menininha!? Como farei para ela ser a aluna que eu não fui?! Como fazer ela ter responsabilidade sem exigir demais dela?! HELP MEEEEEE ....

Nossa, parece que no meu tempo era tudo mais fácil ...


E você, como lida com esses medos de educar?! Aceito ajuda =D


Beijos e comenta,

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2 comentários

  1. Má,
    Esses são os dilemas da vida!! A gente nunca vai saber se está certa ou errada, ou pode saber, mas só lá no final!
    O que mais pode confortar é seguir o seu coração, pois assim terá feito o seu melhor!!
    Preocupação sempre vamos ter! Até eu que não tenho filhos ainda as tenho!
    Nossos pais fizeram o seu melhor, mesmo com tanta puxação de pé e cobranças, e estamos aí, mulheres guerreiras, fortes, prontas para enfrentar a vida, e é claro, educar um novo ser!!
    Siga o seu coração!!

    Bj Bj
    Pri Aitelli
    www.mamyantenada.com

    ResponderExcluir
  2. Eu acho que nossos pais erraram tentando acertar muitas vezes... e nós, vamos seguindo o nosso coração, nossos instintos, aquilo que aprendemos e estudamos (pois hoje temos acesso a tanta coisa que eles não tiveram, muito mais informação), então acho que mesmo nas nossas limitações, erros e acertos, a gente vai acertar muito mais que eles... mas vamos errar muito também, pois não somos perfeitas, amiga! Acalme o seu coração, peça sabedoria a Deus, que sempre nos ouve e nos direciona, e siga em frente! Com amor, a gente acerta mais que erra! :-) Beijos
    http://www.mamaeaprendiz.com/

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